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Entendendo a linguagem canina

Postado no dia 27/agosto/2010 em Comportamento, Qualidade de Vida, animais por Maria Lúcia
Quem já não “conversou “ ou teve que dar alguma informação para um estrangeiro que não falava o nosso idioma, e mesmo assim conseguiu se comunicar!
Com os animais é a mesma coisa, nem eles e nem nós falamos a mesma língua, mas podemos na maioria das vezes entende-los através da linguagem corporal.
Esses sinais corporais nos dão muitas dicas do que estão sentindo ou querendo, é só prestarmos atenção.
A Linguagem Canina
Ofegar – aquela respiração rápida, com a boca aberta e a língua pendurada. Denota excitação, alegria, vontade de brincar se a comissura labial estiver levantada ou cansaço após um trabalho prolongado se a comissura labial estiver caída.
Resmungar – é uma mistura de latido com um uivo tremido. O cão está inseguro, queixa-se de alguma coisa: dor pouco intensa, mas contínua; tristeza; ansiedade; preocupação com alguma coisa. Espera ser atendido. Se não for entendido começará a latir.
Choramingar baixinho – emitido por um cão ferido, assustado ou com dor de barriga. Lembra a manha de filhote.
Dar uma choradinha em volume alto e de maior duração – denota ansiedade, quer conseguir alguma coisa: um osso, comida, um brinquedo etc.
Suspirar – têm mais ou menos a mesma conotação dos suspiros humanos. Quando conseguem descansar, quando atingem um objetivo, quando o perigo passa etc.
Bocejar – tem o mesmo significado do bocejo humano. Às vezes até nos contagia. Outras, o bocejo é até acompanhado de um espreguiçamento. Quando o bocejo é muito profundo, chegam até a tremelicar.
Gemer – também chamado de choro indica que o cão está sofrendo: cólicas, dores lancinantes, latejamento, frio.
Gemer prolongadamente – indicam dor, constante ininterrupta e moderada, mas difícil de suportar.
Gemer de prazer – emitido, quando o cão está sentindo um enorme prazer, por exemplo, quando se lhe coçam os ouvidos, o peito ou a barriga. Às vezes o cão ajuda com a pata posterior e o gemido sai ondulado por causa dos movimentos das patas.
Ganir – exatamente como o nosso grito, revela dor intensa, aguda ou um susto muito grande.
Dar um só ganido bem curto em tonalidade aguda – manifestação de dor aguda repentina, inesperada.
Dar uma série de ganidos – uma resposta ao medo intenso ou à dor muito forte.
Dar um latido-ganido repetitivo terminando em uivo prolongado – é, na realidade, o próprio uivo que se inicia. Depois desse ensaio todos os cães da vizinhança respondem apenas com o uivo.
Uivar - é o meio canino de comunicação de massa (com a alcatéia). É o mesmo sinal que o lobo líder usa para reunir a matilha. No momento em que um começa todos respondem. Não se trata de maus presságios, agouro, como declaram alguns autores, sequer de sofrimento, mas uma forma de se fazer ouvir numa distância de vários quilômetros para se comunicar com os outros da espécie.
AS ORELHAS
Através do movimento das orelhas os cães revelam seus sentimentos, expectativas e anseios.
A concha acústica tem diversos tipos de movimento:
1. rotação em torno do eixo vertical – com esse movimento a concha, como um radar, procura a
direção da fonte sonora.
2. elevação da base – elevando a base o cão consegue maior acuidade auditiva. Quando o cão
percebe um ruído diferente e precisa descobrir o que é. Atenção!
3. abaixamento – movimento que reduz a capacidade de percepção do som quando o cão está preocupado, assustado ou com medo (nós dizemos: não quero nem ver… os cães “dizem”: não quero nem ouvir…).
Cães de Orelhas Empinadas
Empinar rigidamente e direcioná-las para a frente – atenção total, curiosidade.
Empinar, mas manter relaxadas – cão distraído, trabalhando ou exercitando.
Empinar e direcioná-las para trás, ligeiramente inclinadas – atenção em algum ruído vindo de trás, atenção em duas coisas ao mesmo tempo.
Portar orelhas baixas, para trás e achatadas contra o crânio – demonstra uma grande preocupação, timidez, submissão.
ORELHAS CAIDAS
Portar as bases levantadas e as conchas tendendo à frente – atenção total, curiosidade.
Portar as bases levantadas, mas as conchas relaxadas – cão distraído, trabalhando ou exercitando.
Portar as bases levantadas e as conchas direcionadas para trás e ligeiramente achatadas contra a nuca (em rosa) – atenção em algum ruído vindo de trás, atenção em duas coisas ao mesmo tempo.
Portar as bases abaixadas e as orelhas achatadas contra o pescoço – demonstra uma grande preocupação, timidez, submissão.
OS OLHOS
Olhar fixo – o cão está muito interessado.
Olhar sonolento – o cão está muito pouco interessado.
Olhar de soslaio – o cão, desconfiado, não consegue olhar diretamente nos olhos.
Olhar de baixo para cima – o cão está desconfiado. Quando deitado, com a cabeça entre as patas anteriores, é um olhar de preocupação e expectativa pelo que poderá acontecer.
A BOCA
A comissura labial (canto da boca) tem uma importância capital na expressividade dos lábios. Quando seus músculos se contraem, como no uivo, revelam insegurança.
Levantar ligeiramente os lábios de maneira trêmula e insegura, com a boca quase fechada, exibindo, apenas, alguns incisivos - antes de iniciar o rosnado, o cão demonstra, com nitidez, que algo não está lhe agradando e está lhe aborrecendo.
Levantar os Lábios, com a boca entreaberta, exibindo incisivos, caninos e algumas rugas na cana nasal – às vezes acompanhado de rosnado, é um indício evidente que está no seu limite de controle e que alguma reação está por se completar.
Levantar os Lábios exibindo inclusive as gengivas, com rugas acentuadas na cana nasal - é o último gesto antes de morder. Nesse momento, se o adversário abaixar o olhar e virar a cabeça, afastando-se lentamente, o enfrentamento cessa instantaneamente.
A CAUDA
Portar a cauda quase horizontal, apontando direto para trás – posição característica dos cães de caça de aponte. Revela a descoberta da presa.
Portar a cauda ligeiramente acima da horizontal – cão excitado em situação de disputa de liderança ou iniciando o jogo de sedução que precede o acasalamento, normalmente a cauda treme ligeiramente.
Portar a cauda a 45º, entre a horizontal e a vertical – semelhante ao porte ligeiramente acima da horizontal, mas com total autoconfiança. Normalmente utilizada para desfilar após ter ganho a disputa da liderança.
Portar a cauda erguida na vertical e ligeiramente encurvada para a frente: semelhante ao porte em 45º, também com total autoconfiança. Característico dos cães dos terrieres e dos sabujos.
Portar a cauda pendente, oscilando lateralmente: revela tranqüilidade, normalmente usada
quando o cão está relaxado.
Porte pesadamente pendente, sem oscilar: o cão está inseguro quanto ao está para acontecer… uma disputa de liderança, um invasor muito próximo…
Colocar a cauda entre as pernas – revela muito medo. Nesta situação o cão pode urinar-se, ficar absolutamente sem reação ou tentar esconder-se.
Abanar ligeiramente a cauda – quando o cão está feliz, recompensado com a atenção reivindicada.
Abanar fortemente a cauda – revela alegria, felicidade intensa, quando o cão está brincando. Brincadeira de cachorro é brincadeira de pegar, brincadeira de luta.
Abanar lentamente a cauda, ligeiramente erguida – gesto observado quando você está pacientemente tentando explicar algo, o cão está atento, mas sem entender. Foi observado também que, quando o cão entende, muda o ritmo do balanço.
Até a próxima!
Maria Lúcia de Souza
Clínica Veterinária Cães e Gatos

Os benefícios do relacionamento do homem com os animais

Postado no dia 3/agosto/2010 em Comportamento, Pets, animais por Maria Lúcia
O relacionamento do homem com os animais, principalmente o cão, é muito antigo e esse convívio evoluiu ao longo dos séculos, para um vínculo de amizade com o poder de tocar e transformar as pessoas, trazendo benefícios que nem imaginamos.
As crianças que crescem com animais, possuem mais senso de responsabilidade e noções de limite (“eu” e do “outro”), quando ajudam a cuidar de seus companheiros de brincadeira.
Em crianças com dificuldades no aprendizado a equoterapia ajuda através das atividades prazerosas e com ótimos resultados o treino da disciplina, da atenção e da concentração, assim como ler em voz alta ou conversar com eles as crianças perdem a
inibição pelo simples fato de que não estão sendo avaliadas.
Os benefícios do elo entre o homem e o animal, não se restringem só à infância e adolescência, mas estendem-se aos adultos e a terceira idade e promovem melhoria da qualidade de vida de pessoas com alterações psiquiátricas.

O relacionamento do homem com os animais, principalmente o cão, é muito antigo eesse convívio evoluiu ao longo dos séculos, para um vínculo de amizade com o poder de tocare transformar as pessoas, trazendo benefícios que nem imaginamos.As crianças que crescem com animais, possuem mais senso de responsabilidadee noções de limite (“eu” e do “outro”), quando ajudam a cuidar de seus companheiros de brincadeira.

Muitas vezes o cão de estimação ou outro animal ajudam pessoas com dificuldades de relacionamento. Quantas vezes observamos nas ruas e praças, quando “os cães levam seus donos para passear” a aproximação entre os proprietários e muitas vezes o início de uma bela amizade.

A sobrevida é maior nas pessoas vítimas de infarto, quando tem a companhia de cães.
Idosos que convivem com animais são menos deprimidos, aumentam as interações sociais, ficam menos agitados e irritáveis, a pressão arterial melhora. Os cães conseguem como ninguém levantar o moral destas pessoas, simplesmente dando e recebendo carinho.
O ato de acariciar seus pêlos macios ou sair para passear pode servir como fisioterapia para mãos doloridas ou articulações enrijecidas. Escutam com paciência as queixas sem nunca reclamar ou julgar abanando a cauda em sinal de reconhecimento e felicidade por estar perto de seu amigo.
Em pacientes com Alzheimer a presença do cão aumenta comportamentos sociais como sorrir, rir, olhar, tocar e verbalizar.
Em pacientes psiquiátricos promove socialização, independência, aumenta o interesse em atividades recompensadoras e melhora o uso do tempo livre.
Outro fato interessante é a íntima relação que se observa entre o caráter do animal de estimação e o seu dono. Nos clubes de criadores de peixes ornamentais por exemplo predominam os introvertidos e taciturnos, apreciadores da leitura sobre o tema. Buscam o clube para obter informações, novos peixes e etc., podem passar horas na atividade solitária e silenciosa de observar seus aquários. Outras pessoas de temperamento mais independente e arredio talvez se completem com um gato que não se mostrará tão dependente e carente.
Já nos clubes de criadores de aves encontraremos reuniões acaloradas com pessoas falantes ansiosas para mostrar seus pássaros e receber a visita de outros “passarinheiros”.
Não são pessoas tão afeitas à leitura de artigos sobre o assunto.
Poucas pessoas sabem, mas animais treinados ajudam pessoas com deficiências em tarefas do seu dia a dia e participam na terapia assistida em diversos setores.
Abraços.
Maria Lúcia de Souza
Clínica Veterinária Cães e Gatos