Professor Eder Trezza, um catedrático também no lado humanitário
“HUMANIZAÇÃO DA ATENÇÃO À SAÚDE. DO DISCURSO À PRÁTICA”. Este é o título do livro lançad o p
elo conceituadíssimo professor de cardiologia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, a nossa UNESP, Doutor Eder Trezza, na tarde do último dia 16 de março, no Salão Nobre da Faculdade de Medicina.
Muita gente importante da comunidade unespiana compareceu na bonita solenidade organizada para o lançamento desta verdadeira amostra de quem foi este profissional magnífico, que, além da invejável capacidade na arte de ensinar estudantes de Medicina, cuidou da saúde de milhares de pesso as
durante os quase 50 anos de trabalho neste gigante denominado Hospital das Clínicas da UNESP, de Rubião Junior.
“Nóis”, que com muita alegria, desde a metade da década de 60, estamos juntos e em inúmeras oportunidades nos abraçamos em prol de causas das mais variadas, estamos felizes por sentirmos que o nosso querido Doutor Eder, mesmo aposentado, continua preocupado com o lado humano daqueles que buscam, no nosso HC, a recuperação da sua saúde. Aliás, este cuidado sempre foi a marca registrada deste ser maravilhoso.
Não deve ter sido muito difícil para o mestre Eder Trezza reunir material para a elaboração deste projeto, já que seu intento, como profissional numa área de tanta importância como a saúde pública, impecavelmente foi cumprido.
Sua riquíssima obra conta parte da sua historia de vida e retrata com muita perfeição como sua bonita trajetória nesse meio século de dedicação – como Médico, Professor, Chefe de Departamento, Voluntário, Coordenador do Grupo SEMPRE VIVA, Membro da Comissão de Humanização do Hospital, e até mesmo como Diretor do HC – a esse complexo hospitalar que não pára de crescer; porém, que nos anos 70, época da saudosa FCMBB, somente sobreviveu graças ao arrojo dos que a exemplo do Doutor Eder, registraram sua marca de empreendedorismo num “cantinho” especial dessa maravilhosa Instituição.
Sempre convicto das suas intenções, o nobre docente relatou nas 120 páginas do seu livro, além da relevância da humanização no atendimento hospitalar – sua maior inspiração – a fundamental importância de se oferecer um atendimento de qualidade; assistência religiosa; atenção especial com as crianças, oferecendo-lhes, inclusive, espaços para recreação e, um item de especial destaque que, a meu ver, deixa muito a desejar nos hospitais: informação aos pacientes.
Dentro deste tópico, o glorioso mestre contou até uma “historinha interessante”, dessas que ocorrem com muita frequência nas enfermarias de todos os hospitais (públicos ou não). Um paciente de nome Maria Isabel, há dias no seu leito, não conseguia falar com o seu médico e então resolveu ligar para o hospital do seu leito: “Bom dia! É da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me fornecesse informações sobre pacientes. Queria saber se certa pessoa está melhor ou piorou.
Qual é o nome do paciente? Maria Isabel, ela está no leito 302.
Um momentinho. Vou transferir a ligação para o setor de enfermagem.
B om dia, s
ou a enfermeira Lourdes, o que deseja? Gostaria de saber as condições da paciente Maria Isabel do quarto 302, por favor.
Um minuto, vou localizar o médico de plantão. Aqui é o doutor Carlos, plantonista.
Em que posso te ajudar
? Olá, doutor, preciso que alguém me informe sobre a saúde de Maria Isabel, que está internada, há três semanas, no quarto 302. Ok, minha senhora, vou consultar o prontuário da paciente, um instante só. Bem aqui está. Ela se alimentou bem hoje, a pressão arterial e o pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirada do monitor cardíaco até amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará alta nos próximos três dias. Ah! Graças a Deus! São notícias maravilhosas!Que alegria! Minha senhora, pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família? Não doutor, eu sou a própria Maria Isabel, telefonando aqui do 302! É que todo mundo entra e sai do quarto e ninguém me dá informação alguma”.
Parabéns, conceituado catedrático e grande amigo Professor Doutor Eder Trezza por dar continuidade aos seus projetos de vida, mostrando, através deste trabalho, por sinal bastante explícito, a importância da humanização e do dever humanitário em toda prestação de serviço oferecida por todos os hospitais públicos deste país desigual em tudo, especialmente quando o assunto é a saúde da população pobre, carente e desinformada.
Naquela mesma tarde, outro colega de trabalho do Departamento de Saúde Pública, um lugar especial onde trabalhei por longos 35 anos e conquistei muitas boas amizades, também lançou um livro “pra” lá de interessante: “ENTRE A CIÊNCIA E A EXPERIÊNCIA”. Parabéns, querido amigo Professor Doutor Antonio de Pádua Píton Cyrino, pela edição deste livro que, certamente, será de grande valia na orientação e no combate adequado de muitas enfermidades.
Aproveitando todo o saudosismo que tomou conta de mim na “montagem” deste pequeno texto que escrevi como forma de homenagear dois colegas especiais, envio o meu abraço desta semana a duas figuras humanas que nortearam positivamente grande parte da minha estada na nossa querida “faculdade”: meu eterno chefe Doutor Nelson de Souza e o renomado cirurgião Élson Felix Mendes, um cidadão que, na minha visão, depois do inesquecível Professor Oswaldo Minicucci, foi quem mais cultuou a língua portuguesa. Ambos, meus amigos de décadas, ou melhor, de um tempo que, infelizmente, ficou para trás.
Novamente, a vida nos prega uma desagradável surpresa. Desta vez, os jornalistas de todo país é que ficaram um pouco mais empobrecidos com a notícia da morte de um de seus maiores mestres: o Brasil está de luto, faleceu na manhã da última segunda-feira, no Rio de Janeiro o conceituado jornalista brasileiro, Armando Nogueira.
Descanse em paz, brilhante profissional e grande esportista.
RUBENS DE ALMEIDA – ALEMÃO
alemao@asu.com.br
